Histórico


Categorias
Todas as mensagens
 Vinhos da Casa
 Novos Drinks
 Tequilas Culturais
 Outras Cachaças


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Cia de Orquestração Cênica
 Cesar Ribeiro (orkut)
 Ademir Assunção
 Adri Antunes
 Afonso H. R. Alves
 Alberto Guzik
 Alfredo Rebello
 Alice Valente
 Aline Almeida
 Ana M
 Ana Peluso
 Ana Ramiro
 Ana Rüsche
 Andréa del Fuego
 Bactéria
 Boteco Escola
 Bruna Beber
 Brunno Almeida
 Caetano Vilela
 Camila Canali Doval
 Carlos Reichenbach
 Cássio Amaral
 Célia Musilli
 Chacal
 Claudia Wonder
 Claudio Daniel
 Clayton Melo
 Cleiton Pereira
 Cléo de Paris
 Cristóvão de Oliveira
 Daniel Galera
 Dani Porto
 Dublês de Poeta
 Dudu Oliva
 Ediney Santana
 Eliane Ratier
 El Manjericón
 Érica Neiva
 Fábio Pinheiro
 Fabrício Carpinejar
 Fátima
 Fernanda D'Umbra
 Ferréz
 Gerald Thomas
 Glenda Yasmin
 Graça Carpes
 Guilherme Solari
 Índigo
 Ivam Cabral
 Jânio Dias
 Jarbas Capusso Filho
 JJLeandro
 Jorge Mendes
 Ju Roberto
 Karen Debértolis
 Kitagawa
 Laqua Parla
 Leandro Zappala
 Leo Lama
 Lindsey Rocha
 Língua Epistolar
 Maicknuclear
 Manoel Carlos Pinheiro
 Manoel Mesquita Jr.
 Mão Branca
 Marcelino Freire
 Marcelo Sahea
 Márcio Américo
 Mário Bortolotto
 Max Reinert
 Micheliny Verunschk
 Mikas
 Milene Spinelli
 Mônica
 Nelson Magalhães Filho
 Paola Fonseca Benevides
 Paulo F
 Paulo Fernando
 Paulo Osrevni
 Pedro Luso de Carvalho
 Pedro Luso de Carvalho II
 Peter Greenaway
 Rasgamortalha
 Ricardo Carlaccio
 Ricardo de Queiroz
 Roberto Romano Taddei
 Robson Corrêa de Araújo
 Rocha
 Rodolfo García Vázquez
 Rodrigo Contrera
 Ruy Filho
 Santiago Nazarian
 Sergio Roveri
 Sergio Salvia Coelho
 Solange Marques
 Taís Luso
 Tarcila Albuquerque
 Thiago Torres
 Tiago Mine
 Tmara
 Úrsula Ferrari
 Vandre Fonseca
 Viktor Koen
 Virna Teixeira
 Wagner Marques
 Xico Sá
 Bar do Escritor
 Blog dos Quadrinhos
 Brasil de Fato
 CineEsquemaNovo
 Escritoras Suicidas
 Guia da Semana
 Jornal de Poesia
 Jornal Granma (Cuba)
 Júlio Ferreira
 Observatório Latino-Americano
 Overmundo
 Revista Agulha
 Revista Bestiário
 Revista Contracampo
 Revista Cronópios
 Revista Germina
 Revista Lasanha
 Revista Tanto
 Revista Zunái
 Telecine Cult
 Tô Cansadinho
 Um corpo que sai
 YouTube


 
 
Boteco do Ribeiro


Estamos de mudança



Salve companheiros de prozac, estou de mudança. Estourou o limite deste blog, então já abri outro boteco. Agora a parada é a seguinte: em vez de criar um novo endereço (link) para o novo blog, fiz um processo contrário: alterei o endereço deste blog (o agora antigo Boteco do Ribeiro) acrescentando o número 1 e puxei para o novo blog o endereço que fazia a galera chegar aqui. Basta olhar no navegador desta página: há o número 1 ao fim do endereço tradicional que uso (ciadeorquestracaocenica). Fiz isso para facilitar pra galera, que em maioria não precisará chegar aqui para receber este aviso e ir para o novo blog. Então o novo boteco tá no link do antigo e foi o velho boteco que mudou, sacou? Aos poucos tou restabelecendo lá os links da galera amiga. A bagaça continua a mesma, mesmo porque funciono tipo um cavalo com aquela parada no olho. Sim, sou limitado e só enxergo uma direção. Outro lance: não sei muito bem como funciona com quem usa algum agregador de conteúdo. É provável que as mensagens publicadas no blog novo sejam lidas, mas as antigas não. Deve aparecer o tal aviso de página inexistente. Isso porque, como mudei o endereço do blog antigo, as mensagens publicadas também tiveram o endereço de arquivamento alterados, com o tal 1 sendo acrescentado. Vou deixar este velho boteco aberto para os bebuns de sempre, mas agora a atualização rola no novo. Tá todo mundo convidado a beber na nova casa. É isso aí. E vamos ver se me pagam uma bebida e colocam o papo na roda (quero dizer, comentem né, se não a coisa não tem muito sentido, porque se perde uma característica bacana da net, que é a informação não ser simplesmente passada de quem cria para quem recebe). Então é isso, o velho é o novo e o novo é o velho. Falado?

NOVA CASA: BOTECO DO RIBEIRO RELOADED



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Jodorowsky



Como faz toda quarta-feira, Alejandro Jodorowsky sairá de sua casa, hoje à tarde, em Paris, rumando para o café da esquina, onde já estará à sua espera uma pequena multidão. São as pessoas que todas as semanas fazem fila para que ele lhes leia o futuro nas cartas de tarô. Na próxima semana, não poderá repetir esse ritual. Estará no Brasil para a retrospectiva de sua obra: filmes, gravuras, fotos, quadrinhos e, claro, o conjunto de cartas, mais numerosas e maiores que as de um baralho comum, que utiliza em sua atividade de tarólogo.O evento, com curadoria de Joel Pizzini e Guilherme Marback, começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio. O próprio artista só chegará ao Brasil no dia 26, quando sua mostra desembarca em São Paulo, também no CCBB. Dois dias mais tarde, chega a vez de Brasília. Autor de filmes cults como Fando y Lis, El Topo, A Montanha Sagrada e Santa Sangre, Jodorowsky é um artista multimídia que fez teatro com Fernando Arrabal, criando o Movimento Pânico, e também escreveu quadrinhos ilustrados por Moebius. Ele concedeu ao Estado a seguinte entrevista.

Na última vez em que conversamos, também pelo telefone, seu livro Quando Teresa Brigou com Deus estava sendo editado no Brasil. O que mudou em sua vida desde 2003?
Tudo - acredito que o universo, como as pessoas, está em permanente transmutação. Teresa foi muito importante para mim. Me permitiu decifrar alguns enigmas de minha vida. Sempre quis saber por que meu pai, um judeu de origem russa, me havia criado no ateísmo. Estava numa fase de depressão quando iniciei a terapia regressiva, pesquisando a árvore genealógica de minha família. Descobri essa ancestral que, em 1903, brigou com Deus e com toda a comunidade judaica de uma aldeia da Ucrânia, revoltada porque uma grande enchente levou seu único filho.

Você já conhece o Brasil?
Não - é minha primeira viagem e estou muito excitado. O Brasil é um país misterioso para mim. Me atraem muito os ritos iniciáticos do candomblé.

Você nasceu no Chile. Por que nunca veio aqui?
Por um motivo simples - era tão pobre que, quando morava em Iquique, não tinha dinheiro para ir a Valparaíso. Com efeito, nasci no Chile, mas não me considero chileno. Não me considero pertencente a lugar nenhum.

Mas você deve ter um passaporte, para poder viajar.
Tenho um passaporte francês e vivo na França, mas sou um estrangeiro aqui como o sou no Chile e era no México, onde também vivi. Sou um estrangeiro neste mundo.

Você mesmo se define como um xamã. O dicionário diz que se trata de um mago que controla os espíritos do bem e do mal, de acordo com a cultura de tribos indígenas dos EUA e também religiões primitivas do norte da Ásia. Como você se transformou num xamã?
Há décadas que as pessoas me pedem para fazer chover ou para transformar ferro em ouro, como faziam os velhos alquimistas. Há muito tempo me dedico à elucidação dos mistérios da vida. Tem origem no Movimento Pânico, que criamos, Arrabal, Roland Topor e eu, nos anos 60.

Em que Arrabal o influenciou?
Ele não me influenciou em nada. Participávamos do movimento de igual para igual. Se ele tem uma obra importante como dramaturgo, eu também tenho e a minha obra inteira de teatro está saindo na Espanha, dia 20 (ontem), num volume intitulado Teatro sin Fin (editora Siruela). Mas eu não me interesso muito pelo passado. Se a vida está em permanente movimento, por que permanecer ligado em coisas que já foram?

Dentro do mesmo princípio, você não liga muito para seus filmes cultuados dos anos 60 e 70 ?
Tive de revê-los todos, pois foram remasteurizados e acompanhei o processo. Mais do que pela dramaturgia ou pelo aspecto iniciático do esoterismo, me interessei pelo aspecto visual.

El Topo bebe na fonte do spaghetti western, misturando Leone e Buñuel na história do cavaleiro errante que precisa livrar uma cidade de quatro pistoleiros. O surrealismo é muito forte em sua imaginação visual.
Quando criamos o Movimento Pânico em, Paris, em 1962, nossas referências eram o deus Pã e o surrealismo de Buñuel e Dalí. Nosso objetivo era traduzir a liberdade em arte e fomos incorporando tudo - pop-art, rock, ficção científica, gibis. A partir de três elementos básicos - terror, humor e simultaneidade-, postulávamos transcender os limites impostos pela sociedade, rechaçando a seriedade artística com uma explosão criativa sem regras. Com o tempo percebemos que o surrealismo foi ficando para trás. Hoje, os elementos oníricos continuam me acompanhando, mas o que me interessa é a psicomagia.

E o que é isso?
É a compreensão da natureza a partir de elementos da psicologia. Ela parte da premissa de que o inconsciente aceita os atos simbólicos como fatos. Interesso-me por psicanálise, mas ela não cura e, em certos casos, leva à dependência. O psicomágico pode receitar atos simbólicos que agem no inconsciente e, se bem aplicados, podem curar certos traumas.

Isso está me parecendo muito esotérico. Vamos trazer o assunto para o cinema. O que a psicomagia tem a ver com cinema?
No meu caso, foi filmando que descobri que o mundo está doente. São males que podem ser sanados. Acredito que o grande desafio da psicomagia é libertar a magia de sua porção mais supersticiosa, atuando no plano do racional. Nunca fiz filmes integrados à indústria cultural. El Topo virou cult nas sessões da meia-noite (midnight movies) que proliferavam por volta de 1970. Era um cinema alternativo a Hollywood, mais sensorial. Todo mundo se escandalizava quando eu dizia que um filme como El Topo era para perder dinheiro. Acredito no risco, na vida como no cinema. Um filme deve ter sobre a percepção o mesmo efeito que uma pílula de LSD sobre o cérebro. Provocando um choque no inconsciente, como a psicomagia, pode curar as neuroses.

Seu cinema traduz um anseio libertário, mas eu confesso que sou louco pela morbidez de Santa Sangre, com aquela ligação incestuosa entre mãe e filho, uma coisa que remete a Psicose, de Alfred Hitchcock, mas com outras intenções.
Num certo sentido, é meu filme mais convencional, porque se pode identificar nele um movimento, com começo, meio e fim, mas é subversivo porque mantém a ambição desmedida por algo superior que mistura crítica religiosa, luxúria, violência, simbolismo e surrealismo.

Seu trabalho mais conhecido nos quadrinhos é a série Incal, desenhada por Moebius. O que ele acrescentou ao seu universo?
De novo, é uma simbiose. Ele desenhava o que eu criava, mas o fato de não ter limites me estimulava a ir mais longe. Em Incal, misturamos tudo, tarô, cabala e Jung, que sempre me interessou mais do que Freud, criando um universo único.

O cinema acabou para você?
Volto a filmar no ano que vem. Tenho três projetos em desenvolvimento. Não sei qual terei condições de filmar primeiro. A questão da produção é sempre complicada. No passado, já tive de desistir de projetos aos quais me dediquei, como Duna. Espero que agora tenha mais sorte.

Serviço
Festival Jodorowsky. Centro Cultural Banco do Brasil (70 lugs.). Rua Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. R$ 4. Até 9/12. Abertura dia 28/11

fonte: Estadão



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A opinião e o público



A briga da cambada para construir a opinião pública está a cada dia mais bizarra. Detentores de um poder de amplo alcance, a mídia e seus eleitos fazem da tecnologia um campo de batalha com golpes cada vez mais imbecilizantes. É preciso lembrar que a sociedade ao longo do tempo, em busca de "facilitar a vida" mas também estender o alcance do verbo, foi criando inúmeras formas de fazer chegar ao maior número de pessoas o seu conceito sobre o mundo e como as coisas devem ser. Também é bom lembrar que a dita história e as decisões que tornaram a sociedade o que ela é hoje são frutos dos detentores de poder de cada época. Levamos o cotidiano em meio a um jogo em que, se você não toma parte das decisões, é influenciado por elas, o que pode ser visto no rumo que toma as ciências (quais pesquisas recebem investimento e merecem ser desenvolvidas, quais ficam de escanteio), no estabelecimento das próprias leis etc. Óbvio que a criação de ideais como justiça - cujo princípio é de igualdade - só pôde ser estabelecida a partir do momento em que pessoas que detinham o poder (material, moral etc.) começaram a zelar pelas suas posses e princípios, afinal é impossível pensar no conceito de justiça como lei comum a todos em uma sociedade completamente desigual. Mas isso é meio uma figura como a luz: normalmente não sabemos como ela funciona, apenas sabemos que ela está lá. E, com isso, não questionamos. As regras que foram criadas e com as quais convivemos são quase inquestionáveis, e como tememos a transformação por medo de que tudo piore, deixamos como está. Mas me parece óbvio que se fôssemos pensar em regras para condução de uma realidade o conceito de uma lei para todos não seria a mais justa, apesar de entendermos que, se elas dessem mais oportunidades a quem mais precisa, em vez de ajustarmos a balança estaríamos concedendo "privilégios". É um pensamento já arraigado em nossas mentes, embora saibamos que as oportunidades são desiguais: quem nasce em uma família com recursos normalmente continuará com recursos a vida inteira, e passará para seus filhos, que passarão para os filhos, que passarão... Quem nasce numa família pobre muito provavelmente não escapará de sua pobreza, e deixará aos filhos essa herança, que passarão aos filhos, que passarão... Ou não é assim?

Tudo isso para lembrar o que vem acontecendo na Venezuela. Não moro na Venezuela, nunca visitei a Venezuela e conseqüentemente não sei in loco o que se passa lá. A maioria de nós criou uma opinião acerca de Hugo Chávez a partir da mídia, dos telejornais, das matérias em revistas, das capas de jornais... Convenhamos, o que Chávez vem fazendo na Venezuela interessa a quem domina a opinião pública brasileira? Interessa a quem domina a opinião pública norte-americana ou global? Acredito que não. Rotula-se de ditador um homem que vem provocando profundas transformações no conceito de bem-estar, e não estou falando do conceito judaico-cristão de igualdade e esses vatapás todos. Estou falando de um cara que cria leis para dar mais oportunidades a quem pouco as teve, para isso contrariando interesse das poderosas multinacionais e de governos que tradicionalmente exploraram o país sem dar muito em troca, como o que ocorria com a Petrobras. O cara simplesmente está colocando os pingos nos is e acabando com o parque de diversões do quintal de casa. Que, diga-se de passagem, era para poucos. Olha-se mais para o povo indígena, que é maioria numérica, e para os interesses nacionais, voltados a uma sociedade mais justa.

O último lance bizarro dessa cartada para construir a imagem de Chávez como um tirano - enquanto temos como símbolo da democracia um país como os Estados Unidos, cuja população elege e reelege um cara como Bush the Kid (vamos mesmo falar sobre ditadura e tirania?) - é a declaração do angelical Paulo Maluf sobre o presidente da Venezuela. Sabe-se que a Venezuela está pleiteando a entrada no Mercosul, sabe-se que o governo brasileiro apóia esse ingresso. O parecer que discute a entrada da Venezuela foi escrito pelo Maluf. No texto ele apóia o ingresso, mas insinua que o presidente venezuelano sofre de problemas mentais e deveria se submeter a tratamento psiquiátrico. Cara, detesto comédias, principalmente pastelões, mas essa daí é dura de engolir. Quem é o senhor Maluf para acusar alguém de maluco? Um cara que apoiou a ditadura, acabou se fazendo às custas dela, roubou a torto e a direito e é detentor de uma moralidade no mínimo bizarra. Isso parece o lance do rei mandando Chávez calar a boca.

Talvez aí esteja o lance. Crescemos com historinhas do príncipe encantado, do nobre que salva a dama em perigo, da ostentação da riqueza... Em nossa moral está embutido o respeito aos reis e aos religiosos e aos mais velhos, afinal a história foi construída assim, jogando seu foco sobre os poderosos e execrando a população sem rosto que paira nos livros. Damos aos reis todos os elementos de uma personalidade, enquanto os que estão sob as asas do reinado permanecem uma vasta multidão sem identidade. Ao olhar para o rei mandando o presidente de uma república calar a boca, muitos ficaram ao lado do rei. Somos ainda uma colônia? Ainda acreditamos na ostentação e na moralidade dos impérios? Nossa admiração pelo poder nos leva a aceitar os poderosos acima de qualquer coisa? Se Chávez, eleito e reeleito pela população de seu país, é considerado insano por lançar em suas terras uma visão social que transforma a política vigente - e, diga-se de passagem, sem os assassinatos, aprisionamentos e perseguições ocorridos na União Soviética, na China e tais -, o que dizer então de alguém como Bush, aceito como presidente dos Estados Unidos? Nosso modo de vida libertário e cada um por si, com economia de mercado e decisões tomadas nos bastidores das grandes empresas e por políticos defensores de interesses corporativos, faz com que tendamos à defesa dos princípios norte-americanos, em vez de olhar com cuidado para o que vem ocorrendo na América Latina. Somos latinos. Repito: somos latinos. Somos um país da América Latina. Então por que pouco a conhecemos, pouco olhamos para ela e temos um indisfarçável preconceito em relação à latinidade? Ainda acreditamos nos arcaicos contos de fadas estilo Disney e afins?



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h44
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Sinfonia Patética - Penúltima apresentação

Meus companheiros de prozac, hoje rola a penúltima apresentação da peça que dirijo, a Sinfonia Patética. Às 21h lá no Satyros 2 (Praça Roosevelt, 124). Tá R$ 20 mangos, mas quem tiver a fim de entrar na Lista Camarada e pagar meia, é só emeiar ou deixar um recado aqui. E pra quem não quer arriscar pagar mico e cair na roubada, tá aí um vídeo da peça. A edição é do camarada Everson Romito e a filmagem é do Rodrigo Diaz Diaz. Cola na grade.



Escrito por Cesar Ribeiro às 10h46
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Meu pai morreu - texto de Leo Lama*



19 de novembro é aniversário da morte do meu pai, escrevi este texto no dia em que ele morreu: 19 de novembro de 99.

Meu pai morreu. Todo pai morre. Agora estou aqui pensando: o que foi que meu pai me deixou? Apartamento?Não. Carro?Nem uma bicicleta. Dinheiro? Ele não conseguia pagar nem as próprias contas. Mas pagava a dos filhos. Roupas? Só um chinelo velho, mas meu pé é maior. Sem testamento, sem herança, sem nada? As peças. As peças de teatro? De quem são as peças de teatro? Meu pai era escritor. Escritor de teatro. Teatro? Teatro dá dinheiro. Tem gente que escreve peça pra ganhar dinheiro. Não, meu pai não. Não ganhou muito dinheiro com teatro. O que ganhou, gastou. Deu dinheiro pra muita gente. Meu pai não era um bom administrador. Era um “maldito”, diziam, um “marginal”, mas não era bandido. Por que ele era maldito, afinal? Será que não pensava nos filhos? Por que não escreveu peça pra ganhar dinheiro? “Ninguém tem direito de pedir a um artista que não seja subversivo.”. Meu pai escrevia sobre puta e cigano sem dente. Puta, cigano sem dente e cafetão. Puta, cigano sem dente, cafetão, presidiários, desempregados e fudidos. Puta e cigano sem dente? Puta, cigano sem dente e cafetão é chato, porra! Puta, cigano sem dente e presidiários não dava dinheiro. Puta, cigano sem dente e desempregados não tinha “patrocínio”. Mas eu queria tênis americano, eu queria camisa Lacoste, camisa Hang Ten.


Meu pai tinha que ganhar dinheiro. Por que ele insistia em escrever peças sobre puta, cigano sem dente, cafetão e presidiários? Ele insistia. Puta, cigano sem dente, cafetão, presidiários, desempregados e fudidos. E o ator e Jesus Cristo e nada de “comédia comercial”. Mas eu queria o meu “All Star”, eu queria ter todos os discos dos Beatles. “Pai, me dá dinheiro pra comprar uma guitarra!” E eu tive, eu tive a tal guitarra, eu comprei todos os discos dos Beatles com o dinheiro dele (depois tive que comprar tudo de novo em CD com o meu dinheiro e agora dá pra baixar de graça na internet). Calça boca fina, camisa Hang Ten. Onde ele arrumava dinheiro? Onde ele arrumava dinheiro pra me comprar tênis “All Star”? Ele achava que isso era “lixo americano”. Ele achava que essa merda importada só servia pra aumentar a nossa alienação. Meu pai era generoso. Ele não ia deixar de me dar uma coisa que eu queria, só porque ele achava que o que eu queria era imposto pela sociedade de consumo. Ele tentava me orientar, mas respeitava minha opinião de adolescente alienado. Onde ele arrumava dinheiro?


Era época de ditadura. Escrever sobre puta, cigano sem dente, cafetão e presidiários, incomodava os “poderosos”. Porra, ainda mais essa! Já escreve sobre coisa que não dá dinheiro, mas além de não dar dinheiro, ainda é proibido? “Pai, me dá dinheiro pra comprar disco do Bob Dylan!”.


Meu pai fez novela, fez Beto Rockfeller. Mas Beto Rockfeller não conta, Beto Rockfeller era A novela, tinha a cara dele, era revolucionária. Ele fazia o Vitório, o melhor amigo do Beto. Ele ganhou um dinheiro, me comprou um tênis, uma guitarra, um... Mas A novela era na Tupi. A Tupi faliu. Meu pai foi fazer novela na Rede Globo: “Bandeira 2”. Mas a Globo é no Rio, o Rio tem praia, ele cabulava as gravações e ia pra praia: “Novela é chato pra caralho, porra! O direito da gente coçar o saco é sagrado.”, ele dizia. Ele ia pra praia e lá ficava indignado porque naquela época a Globo não punha negros nas novelas e quando punha era nos papéis de escravo ou mordomo. Meu pai escreveu no jornal “A Última Hora” do Samuel Wainer, onde ele trabalhava, que a Globo botou a Sônia Braga dois meses tomando sol pra ficar escura, em vez de chamar uma mulata pra fazer “Gabriela”. A Globo não gostou. Os “poderosos” da Rede Globo não gostaram. Fizeram ameaças, juraram de morte. Em fim, a Globo não dava mais. Quando ele tava por lá, ele bem que quis escrever novela. Afinal, eu queria dinheiro pra comprar tênis, disco, guitarra. Mas novela de puta, cafetão e cigano sem dente? Não, novela de puta, cafetão e cigano sem dente não dá. Se fosse cigano com dente, musculoso e mau ator, aí dava. Agora, cigano sem dente, pobre e fudido, não dá. Então não dá. “Na televisão brasileira, artista estrangeiro morto trabalha mais do que artista brasileiro vivo.” Tudo bem, não podia fazer peça de puta porque a ditadura não gostava, não podia novela de cigano pobre, fudido e sem dente porque a T.V. não queria. Então o que que podia? Não podia nem chamar a Rede Globo de racista, nem nada. A sinopse que ele fez pra uma novela quando finalmente a Globo chamou ele, era de uma tribo de ciganos que estupravam as filhas dos empresários e...bem, não aprovaram. E as portas iam se fechando. E a ditadura ali, descendo o cassete. E eu queria o meu tênis “All Star”! “Pai, porra, pai, eu quero dinheiro pra comprar time de botão!” Mas enquanto os “poderosos” iam dizendo: Não! Não! Não! Ele ia ganhando o respeito dos humildes de coração, um “povo que berra da geral sem nunca influir no resultado”, um povo fudido, os marginais, as putas, os ciganos sem dente, os presidiários, um povo que não aparecia na T.V. “Pobre na Rede Globo almoça e janta todo dia”. Pobre na Rede Globo tem dente, favela na Rede Globo não tem rato. Esse povo não era o povo dele. O povo dele era entre outros, os sambistas, não esses de agora, de terno Armani, cercados de loiras recauchutadas, mas, os sambistas das escolas de samba de São Paulo. Os sambistas marginalizados, os que nunca gravaram CD. O Zeca da Casa Verde, o Talismã, o Jangada, o Toniquinho Batuqueiro, o Geraldo Filme, enfim, os que morrem na merda. “Silêncio, o sambista está dormindo, ele foi, mas foi sorrindo, a notícia chegou quando anoiteceu...”.


Então a solução era fazer show com os sambistas. Meu pai contava histórias e os sambistas cantavam suas músicas. Mas os sambistas eram crioulos. Negros? Negro não podia. Em plena ditadura, Plino Marcos e “a negrada”? Que papo é esse? Poder, podia, mas ninguém queria ver. “A burguesia não me quer”, ele dizia. Não podia peça de puta e novela de cigano sem dente pobre e fudido, não podia dizer que a Globo era racista e ninguém queria ver show com “a negrada”. Então o que que podia? “Pai, me dá dinheiro pra comprar figurinha do álbum Brasil Novo!”


A ditadura quando eu tinha 7 anos tava em todo lugar, em cada esquina, no meio de cada casal que fazia “amor com medo”, nos porões do Doicodi e nas torturas atrozes que muitos sofriam e eu lá: “Pai, me leva na Expoex, pai, me leva na Expoex! A Expoex é a exposição do exército! Eu quero ver os soldados, pai! Eu quero ver os tanques!” E ele me levava. Senão eu chorava. Eu chorava se eu fosse censurado e não pudesse ver a Expoex.


Quando eu tinha uns 12, 13 anos, lá estava o ônibus da escola pronto pra partir pra Porto Seguro com todos os meus amiguinhos dentro e os pais, do lado de fora, dando tchauzinho. E um amiguinho meu perguntou: “Quem é seu pai?” Eu não tive dúvida: “Meu pai é aquele!” E o meu amiguinho: “Aquele de terno e gravata? Aquele que tá conversando com o meu pai?” E eu: “É, aquele.” O meu amiguinho gritou: “Pai, esse aí é o pai do Leo!” E a professora ouviu. Não, meu pai não era aquele de terno e gravata. Meu pai era outro. Era o que todo mundo tava chamando de mendigo. Meu pai era aquele de macacão e chinelo! Gordo de macacão e chinelo! “O pai do Leo é mendigo, o pai do Leo é mendigo!” Afinal, quem trabalha tem que usar terno e gravata. Naquela época, um moleque de 12, 13 anos, era um tapado. Ou isso era característica minha? “Pai, por que você não trabalha? Pai, por que você dorme até meio dia? Pai, por que o pai do Paulinho tem carro e você não? Por que você chega de madrugada em casa? Pai, por que você anda de macacão e chinelo? Pai, me dá dinheiro pra comprar...” E o meu pai me dava dinheiro. Eu estudava em escola de “burguês”. Eu estudei nas “melhores escolas”. E olha que o meu pai odiava escola. “A cultura nas mãos dos poderosos constrange mais do que as armas; por isso, a arte e o ensino oficiais são sempre sufocantes”, ele dizia. Ele saiu da escola na 4ª série do primário. Ele era canhoto. Na escola, as professoras o obrigavam a escrever com a mão direita. Ele fugiu da escola, ele sempre foi da esquerda. Era chamado de analfabeto. Com 21 anos escreveu “Barrela!”. “Me chamavam de analfabeto, como se isso fosse privilégio meu, neste país.” Meu avô queria que ele trabalhasse no Banco do Brasil, mas ele queria é subir num banco no meio da praça e fazer números de palhaço. A família chegou até a pensar que ele era débil mental. Meu pai foi pro circo. Ele amava o circo. Foi ser palhaço de circo. Era o palhaço Frajola. A escola dele era o circo, a minha era escola de “burguês”. Mas como ele pagava a minha escola?


Foi preso, foi solto, ameaçado, escrevia em jornais e revistas, quase todos que existiam. Foi despedido de todos. A censura não queria meu pai escrevendo em lugar nenhum. O que fazer? Sair do país? Ele não falava direito nem o português. O que fazer? “Pai, me dá dinheiro pra comprar uma calça Soft Machine!”.


Uma vez o meu pai tava com uma dívida muito grande, tava com dificuldade de pagar as prestações de um apartamento que ele comprou pra gente. Daí um belo dia a Ford ligou pra ele, convidando pra fazer um comercial. Era uma puta grana, dava pra pagar as dívidas e ficar bem tranqüilo por uns tempos. Meu pai não fazia comercial.
Foi vender livro na rua. Nas portas dos teatros, nas portas das faculdades, nos bares. Foi vender livro na porta de teatros aonde se apresentavam artistas piores do que ele. Ele mesmo editava os livros, ele mesmo ia vender. E podia? Não. Não podia. Várias vezes ele foi expulso pelo “rapa” como um camelô comum. E ele chorava? “Perseguido, o caralho! Eu não sou nenhum mosca-morta. Eu fiz por merecer. Fui uma pessoa que aproveitou bem a fama. Eu apedrejei carro de governador, quebrei vidraça de Banco. Foi uma farra. Não teve mau tempo.” Tinha. Tinha mau tempo, mas ele não reclamava, eu nunca ouvi o meu pai reclamando da vida. Eu nunca ouvi o cara dizer que a vida tava difícil, ou que era “foda”. Não. Ele só reclamava das injustiças. Ele berrava contra as injustiças, os preconceitos, a apatia. Meu pai é o Plínio Marcos, porra! Bela merda, tem gente que nunca ouviu falar. Pra muitos era só um fudido que não deu certo na vida, andando feito mendigo pelo centro da cidade. Já morreu. Não era melhor do que ninguém. (Não?)


“Tudo se consegue com esforço; não se chega a lugar nenhum sem caminhar.”


Com 15 anos eu quis sair da escola. Ele disse: “Sai logo dessa merda, eu te sustento até você encontrar sua vocação!” Eu saí, eu saí daquela merda na metade do 1º colegial. Acho que qualquer ser humano com o mínimo de sensibilidade, sabe: o ensino do jeito que é, faz mal pra saúde.


Eu devia ter uns 17 anos, era de madrugada. Eu morava com ele. Eu tava na mesa da sala com o violão, triste, querendo encontrar a minha vocação, sem saber o que dizer, inibido, pensando em todos os artistas que eram muito melhores do que eu. Meu pai levantou pra tomar água, me viu ali, não disse nada. Foi até o escritório, voltou com um livro e leu um poema pra mim. “O corvo” do Edgar Allan Poe. Não disse nada, só leu a poesia. Não foi o conteúdo, foi o tom da voz dele, aquela voz doce que ele tinha. Ele declamava e eu ouvia como se ele me pegasse no colo. Foi dormir e me deixou ali, ouvindo o corvo dizer: “para sempre!”. Eu virei escritor, com 21 anos escrevi “Dores de Amores”. Meu pai era um incentivador, idolatrava os filhos. Queria ser mergulhador só porque o Kiko, meu irmão, é. A Aninha, minha irmã, era tudo pra ele. Eu fiz vários shows com ele, pelas faculdades, pelos teatros, pelos bares. Ele contava histórias e eu tocava violão. Meu pai era generoso, violento, essencial, amava, amava tanto as pessoas que chegava mesmo a odiá-las. Lutava, berrava e me acordava. Meu pai não me deixou apartamento, carro, dinheiro, bicicleta. Nem o chinelo dele me serve. Eu tive e tenho que ganhar o meu próprio dinheiro. Até hoje, muito pouca gente quer montar as suas peças e muito pouca gente quer assistir. Meu pai já não precisa mais vender livro na rua, pra quem não quer comprar, ou pra quem compra só pra “ajudar”. O que eu mais queria é que ele me ouvisse agora: “Pai, você não me deixou nada que se possa enxergar. Nem carro, nem apartamento, nem bicicleta, nem chinelo. Me deixou a sua indignação, um pouco do seu temperamento, a lembrança de ver você acordando todo dia com uma puta força de vontade, com uma puta vontade de viver, sempre alegre, sempre fazendo piada das próprias desgraças, sempre dando tudo que ganhava pros filhos, sem nunca acumular porra nenhuma.” E se ele me escutasse ele diria, com um sorriso malandro sem dentes, segurando as lágrimas: “Ê, Leo Lama!” Meu pai não sabia receber elogios. Mas se ele me ouvisse agora, eu diria:


Pai, eu preciso te contar, no seu velório foi muita gente, pai. No seu velório, estiveram os maiores artistas do país. Médicos, políticos, advogados, empresários, fãs, gente do povo, crianças e os sambistas. Os sambistas cantaram sambas em sua homenagem, pai. Suas mulheres, seus amigos, seus inimigos, todos nós, todos nós te aplaudimos quando o seu caixão foi colocado em cima do carro de bombeiro. Eu tava segurando uma aba, o Kiko outra. Você foi cremado, pai. Seus amigos fizeram discursos emocionados, disseram: “Plínio Marcos, um grito de liberdade!” Nós jogamos suas cinzas no mar de Santos. Na ponta da praia, onde você passou sua infância. O Jabaquara, seu time, ficou na porta do pequeno estádio, uniformizado, com a mão no coração, vendo o cortejo passar. O povo na areia batia no surdo e entoava um canto mudo no crepúsculo santista e nós no barco deixávamos você escorrer pelos nossos dedos como se você nem tivesse existido. Eu ainda quis te achar no meio do mar, mas de repente já era só o mar. E você foi, como todo mundo vai.


É isso aí, pai: tanta gente te amava. Você sabia? Acho que ninguém te amou tanto como a minha mãe. O amor dela ecoa em mim. Mas e eu, pai? E eu? Será que eu vou ter a mesma fibra que você? Eu não gosto de viver como você gostava. Eu não tenho a sua coragem. “A poesia, a magia, a arte, as grandes sabedorias não podem habitar corações medrosos.” Eu acho que eu vou me vender, pai, eu acho que eu já sou um vendido. Eu só queria ser essencial, essencial como você. É difícil. Eu reclamo. A vida tá uma bosta! Tá difícil de encontrar pessoas essenciais, pai. As pessoas só falam e pensam no que é supérfluo. Eu não tenho assunto. Eu me sinto sozinho. Eu não sei sobre o que escrever. O mundo tá se destruindo, tem muita gente fudida, tem muitas festas e muita fome. Que indecência, pai, que vergonha que eu sinto desse tempo que eu vivo. Eu sei que você não tem saco pra choramingo, pai, mas me deixa desabafar, pai, só hoje, me deixa te falar sobre o sonho dessa gente, você sabe, essa gente, os “homens-pregos”, fixos no mesmo lugar. Essa gente quer ter carro, pai, casa com piscina, essa gente quer ser rica e famosa, essa gente quer ser musculosa e quer ter bunda, essa gente diz que acredita em Deus e fode ele, essa gente não quer ser essencial, pai, essa gente... essa é a minha gente, pai, às vezes eu me olho no espelho e me acho parecido com essa gente. Me perdoa.

Um beijo do seu filho, Nado, que ainda usa o nome artístico que a gente inventou juntos: Leo Lama

 

*texto do blog do Leo Lama (link ao lado)



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



As boas da noite

Rola hoje a estréia da peça Cocoonings, do Cemitério de Automóveis. Às 21h no Ruth Escobar (Rua dos Ingleses 209)

Já na sala experimental do Teatro Augusta (Rua Augusta 943) o ator mineiro Luiz Arthur apresenta A Morte de DJ em Paris. Só hoje e amanhã

E o Valcazaras reestréia, agora no Teatro Oficina (Rua Jaceguai 520), a peça Assovio, em que também assina a dramaturgia

Já pra quem está em Porto Alegre, a boa é a peça Eu Preciso Aprender a Ser Só, que rola às 21h no Centro Municipal de Cultura (Érico Veríssimo 307) e tem direção do Eduardo Kraemer

Então, já que hoje você não vai ficar em casa, que tal me pagar uma breja se a gente se cruzar por aí?



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h46
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Feira de Teatro Vento Forte



Hoje começa a Feira de Teatro Vento Forte. Na programação tem teatro, teatro de bonecos, contadores de histórias, trabalhos do repertório do Vento Forte e por aí vai. Destaque para a peça A Casa do Gaspar, baseado em Kaspar Hauser. O Vento Forte fica na Rua Brigadeiro Haroldo Veloso, 150 (Itaim). Mais info? Clica no link.

SITE: TEATRO VENTO FORTE



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente



Xico Sá lança na Mercearia São Pedro, às 19h, dentro da programação da Balada Literária, o livro Caballeros Solitários Rumo ao Sol Poente. Quiser saber mais da escrita dele entra no blog. O link tá ao lado. Mas aqui vai um trechinho da bagaça:

Tu padre e tu madre adoravam emborracharse, hay notado en las corrientes mais animadas del sagrado útero, non, hermosa chica?

“Oceanos tão lindos como nos documentários da National Geographic, mi padrecito amado, mares tão azuis, mergulhos incríveis, léguas e léguas submarinas na quentinha soledad de mi madre y sus drinques coloridos”.

Estávamos doidos demais, por erremplo, quando te fizemos na banheira daquele hotel na Gran Via -agora já estamos em Madrid, por supuesto, mi hija, deixamos Sevilha para trás, na poeira de la carretera perdida.  

“Quantos dias a pé demoramos de Sevilha a Madrid?”, tu madre de novo com preguntas difíceis.

“Chegamos”, tu padre dizia apenas.

Tu padre e tu madre crente que habiam feito o Caminho de Santiago.

Qualquer chão que tu padre e tu madre pisavam en España, até mesmo nos brejos-secos de Castela e arredores de la Mancha, acreditavam, después de borrachos, que haviam feito mil vezes el camiño de Santiago, por supuesto, se sentiam puros, almas leves e inegociáveis, pobres desalmados.

Tu padre, todavia, hija, num se achava, digamos assim, um Pablo Conejo, famoso escriba da época, tu padre continuava acreditando apenas nas parábolas das quedas perfeitas e da arte de nadar no seco, técnica assimilada do mestre cubano Virgílio Piñera.

(...)

Alguém bateu na puerta da habitación número cento e uno para cobrar la cuenta e indagar se não íamos mais embora, “como puede estes maltrapilhos a usufruir disso tudo e a sujar nuestros lençóis de tanto gozo sem travas”, era a cabeça de tu madre paranóica com los espanolitos desbravadores y colonialistas.

Se bem que acho que estávamos numa banheira... No rádio-relógio fanhoso, umas seis, sete de la noche, tocava Candy... Quando acordamos era a vez de Angel, do titio Iggy Pop, de certa forma tu padrinho, mira ele aqui no álbum da família, achaste esquisito o titio recortado del periódico?



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Divinas Palavras - Satyros

E hoje a galera do Satyros estréia a peça Divinas Palavras, às 21h30 no Satyros 1. É a trupe voltando a encenar texto do espanhol Valle-Inclán, de quem montaram em 2000 o Retábulo da Avareza, Luxúria e Morte, uma belíssima encenação que misturava várias linguagens, como teatro de sombras, estética de cabarés etc. Tá 25 mangos. E tae o cinematográfico cartaz da peça.



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Arte Cinética

Começou ontem a mostra Os Cinéticos

que tem como tema central o conceito Arte Cinética, voltada ao movimento.

A bagaça rola no Instituto Tomie Ohtake até 13 de janeiro e mistura pintura, instalações, obras cinematográficas experimentais e outros (serão exibidos dois filmes de Marcel Duchamp, como Anemic Cinema).

Na ordem estão obras de Jesús Rafael Soto (que já esteve na Bienal de São Paulo com seus "Penetráveis"), Keiji Kawashima, Marcel Duchamp e Yves Klein, que fazem parte da programação ao lado de outros 41 artistas, como Man Ray, Salvador Dali, Carlos Cruz-Diez. Abaixo está o site do instituto, mas até onde vi ele não está atualizado, então não tem ainda info sobre a mostra. Mas corre lá que deve baixar daqui a pouco. O Instituto Tomie Ohtake fica na Rua Coropés (travessa da Faria Lima), 88. Tel: 2245.1900

SITE: INSTITUTO TOMIE OHTAKE



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Abertura da Balada Literária

Rola hoje a festa de abertura da Balada Literária. Começa às 20h30, lá no b_arco (Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426). Uma pá de escritores lendo textos e diversos outros eventos. Numa mensagem mais abaixo tem mais informações da parada. Corre lá.



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h47
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Retirada sustentável - de Leonardo Boff



Aos grandes meios de comunicação passou despercebido o impressionante discurso que o Presidente da Bolívia Evo Morales fez em outubro nas Nações Unidas. Falou menos como chefe de Estado e mais como um líder indígena, cuja visão da Terra e dos problemas ambientais está em claro confronto com o sistema mundial imperante. Denuncia sem rodeios: "a doença da Terra chama-se modelo de desenvolvimento capitalista" que permite a perversidade de "três famílias possuírem ingressos superiores ao PIB dos 48 paises mais pobres" e que faz com que "os Estados Unidos e a Europa consumam em média 8,4 vezes mais do que a média mundial". E fez uma ponderação sábia e de graves conseqüências: "perante esta situação, nós, os povos indígenas e os habitantes humildes e honestos deste Planeta, acreditamos que chegou a hora de fazer uma parada para reencontrarmos as nossas raízes com respeito à Mãe Terra, com a Pachamama como a chamamos nos Andes".

O alarme ecológico provocado pelo aquecimento global já iniciado deve produzir este primeiro efeito: fazermos uma parada para repensarmos o caminho até agora andado e criarmos novos padrões que nos permitam continuar juntos e vivos neste pequeno planeta. Temos, sim, que reencontrar nossas raízes terrenas. Urge que reconquistemos a consciência de que homem vem de humus ( terra fecunda) e que Adão vem de Adamah (terra fértil). Somos Terra que sente, pensa, ama e venera. E agora, devido a um percurso civilizatório de alto risco, montado sobre a ilimitada exploração de todos os recursos da Terra e da vontade desenfreada de dominação sobre a natureza e sobre os outros, chegamos a um ponto crítico em que a sobrevivência humana corre perigo.

Assim como está não podemos continuar, caso contrário, iremos ao encontro de nossa própria destruição. Ainda recentemente observava Gorbachev:"precisamos de um novo paradigma civilizatório porque o atual chegou ao seu fim e exauriu suas possibilidades; temos que chegar a um consenso sobre novos valores ou em 30 ou 40 anos a Terra poderá existir sem nós". Conseguiremos um consenso mínimo quando sabemos que o capitalismo e a ecologia obedecem a duas lógicas contrárias? O primeiro se preocupa em como ganhar mais dominando a natureza e buscando o benefício econômico e a ecologia como produzir e viver em harmonia com a natureza e com todos os seres. Há aqui uma incompatibilidade de base. Ou o capitalismo se nega a si mesmo e assim cria espaço para o modo sustentável de viver ou então nos levará fatalmente ao destino dos dinossauros.

Mas somos confiantes como Evo Morales que em seu discurso enfatizou:"tenho absoluta confiança no ser humano, na sua capacidade de raciocinar,de aprender com seus erros, de recuperar as suas raízes e de mudar para a reconstrução de um mundo justo, diverso, inclusivo, equilibrado e harmônico com a natureza".

Consola-nos a sentença do poeta alemão Hölderin:"Quando grande é o perigo, grande é também a chance de salvação". Quando, dentro de anos, atingirmos o coração da crise e tudo estiver em jogo, então valerá o máxima da sabedoria ancestral e do cristianismo dos primórdios:"em caso de extrema necessidade, tudo se torna comum". Capitais, saberes e haveres serão participados por todos para poder salvar a todos. E nos salvaremos, com a Terra.



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]