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Arte Cinética

Começou ontem a mostra Os Cinéticos

que tem como tema central o conceito Arte Cinética, voltada ao movimento.

A bagaça rola no Instituto Tomie Ohtake até 13 de janeiro e mistura pintura, instalações, obras cinematográficas experimentais e outros (serão exibidos dois filmes de Marcel Duchamp, como Anemic Cinema).

Na ordem estão obras de Jesús Rafael Soto (que já esteve na Bienal de São Paulo com seus "Penetráveis"), Keiji Kawashima, Marcel Duchamp e Yves Klein, que fazem parte da programação ao lado de outros 41 artistas, como Man Ray, Salvador Dali, Carlos Cruz-Diez. Abaixo está o site do instituto, mas até onde vi ele não está atualizado, então não tem ainda info sobre a mostra. Mas corre lá que deve baixar daqui a pouco. O Instituto Tomie Ohtake fica na Rua Coropés (travessa da Faria Lima), 88. Tel: 2245.1900

SITE: INSTITUTO TOMIE OHTAKE



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h19
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Abertura da Balada Literária

Rola hoje a festa de abertura da Balada Literária. Começa às 20h30, lá no b_arco (Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426). Uma pá de escritores lendo textos e diversos outros eventos. Numa mensagem mais abaixo tem mais informações da parada. Corre lá.



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h47
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Retirada sustentável - de Leonardo Boff



Aos grandes meios de comunicação passou despercebido o impressionante discurso que o Presidente da Bolívia Evo Morales fez em outubro nas Nações Unidas. Falou menos como chefe de Estado e mais como um líder indígena, cuja visão da Terra e dos problemas ambientais está em claro confronto com o sistema mundial imperante. Denuncia sem rodeios: "a doença da Terra chama-se modelo de desenvolvimento capitalista" que permite a perversidade de "três famílias possuírem ingressos superiores ao PIB dos 48 paises mais pobres" e que faz com que "os Estados Unidos e a Europa consumam em média 8,4 vezes mais do que a média mundial". E fez uma ponderação sábia e de graves conseqüências: "perante esta situação, nós, os povos indígenas e os habitantes humildes e honestos deste Planeta, acreditamos que chegou a hora de fazer uma parada para reencontrarmos as nossas raízes com respeito à Mãe Terra, com a Pachamama como a chamamos nos Andes".

O alarme ecológico provocado pelo aquecimento global já iniciado deve produzir este primeiro efeito: fazermos uma parada para repensarmos o caminho até agora andado e criarmos novos padrões que nos permitam continuar juntos e vivos neste pequeno planeta. Temos, sim, que reencontrar nossas raízes terrenas. Urge que reconquistemos a consciência de que homem vem de humus ( terra fecunda) e que Adão vem de Adamah (terra fértil). Somos Terra que sente, pensa, ama e venera. E agora, devido a um percurso civilizatório de alto risco, montado sobre a ilimitada exploração de todos os recursos da Terra e da vontade desenfreada de dominação sobre a natureza e sobre os outros, chegamos a um ponto crítico em que a sobrevivência humana corre perigo.

Assim como está não podemos continuar, caso contrário, iremos ao encontro de nossa própria destruição. Ainda recentemente observava Gorbachev:"precisamos de um novo paradigma civilizatório porque o atual chegou ao seu fim e exauriu suas possibilidades; temos que chegar a um consenso sobre novos valores ou em 30 ou 40 anos a Terra poderá existir sem nós". Conseguiremos um consenso mínimo quando sabemos que o capitalismo e a ecologia obedecem a duas lógicas contrárias? O primeiro se preocupa em como ganhar mais dominando a natureza e buscando o benefício econômico e a ecologia como produzir e viver em harmonia com a natureza e com todos os seres. Há aqui uma incompatibilidade de base. Ou o capitalismo se nega a si mesmo e assim cria espaço para o modo sustentável de viver ou então nos levará fatalmente ao destino dos dinossauros.

Mas somos confiantes como Evo Morales que em seu discurso enfatizou:"tenho absoluta confiança no ser humano, na sua capacidade de raciocinar,de aprender com seus erros, de recuperar as suas raízes e de mudar para a reconstrução de um mundo justo, diverso, inclusivo, equilibrado e harmônico com a natureza".

Consola-nos a sentença do poeta alemão Hölderin:"Quando grande é o perigo, grande é também a chance de salvação". Quando, dentro de anos, atingirmos o coração da crise e tudo estiver em jogo, então valerá o máxima da sabedoria ancestral e do cristianismo dos primórdios:"em caso de extrema necessidade, tudo se torna comum". Capitais, saberes e haveres serão participados por todos para poder salvar a todos. E nos salvaremos, com a Terra.



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h37
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No caminho de El Tatio - de Elaine Tavares



Eu não esqueço da cena. Era madrugada e um pequeno grupo saía em direção a El Tatio, um dos pontos mais altos da região da quebrada de San Pedro de Atacama, no deserto chileno, onde ficam os famosos gêiseres. Havia chovido bastante na noite anterior e as estradas estavam muito ruins. O guia que levava o grupo era um legítimo representante dos Likan Antay, o povo atacamenho, originário do lugar. Seu nome: Getúlio. Homem de poucas palavras, com aquele silêncio pesado que precede tempestades, típico das gentes do Atacama que vêem a cada dia seus espaços sendo tomados por empresários europeus.

Na Van seguia um animado grupo composto por brasileiros, chilenos, e um espanhol. Basicamente colocávamos nossa vida nas mãos daquele homem, pois o caminho era absolutamente invisível, tamanha a espessura da neblina. Nada se via e só o que a gente sabia era que de um dos lados da estreita estrada se abria um precipício imenso. Getúlio seguia impávido, conhecedor que era daquelas milenares veredas.

Então, houve um estrondo e o carro caiu num buraco, pendendo para o lado do penhasco. Foi um momento de pânico geral. Logo estávamos todos na rua e Getúlio tentava retirar o carro da fenda onde tinha caído. Foi nessa hora que o espanhol surtou. Dizia ao indígena que ele era um irresponsável, que não havia condições do carro subir a montanha, que estava colocando em risco sua vida e tantas outras barbaridades que não vou reproduzir. Getúlio ouvia com sua impassível paciência enquanto, sozinho, lutava para tirar o carro da vala. Ficava explícito ali naquele monólogo do espanhol todo desprezo que ele tinha pelo saber e pela cultura de Getúlio, do povo originário.

E foi tanta a loucura do espanhol que ele praticamente obrigou todo mundo a voltar para a vila, fazendo ameaças e impedindo que o carro seguisse o caminho. Como se a estrada ruim e o acidente fossem responsabilidade de uma natural “burrice” de Getúlio. A histeria do cara foi tanta que todos decidiram voltar e retornar a El Tatio só na madrugada seguinte, sem a presença do espanhol. Foi o que fizemos.

No dia seguinte partimos pela mesma estrada e com o mesmo motorista, vivendo a mesma aventura da neblina fechada. Lá em cima, maravilhada com a beleza dos gêiseres, tive tempo de conversar com Getúlio enquanto devorávamos sanduíches no almoço. “Esse povo é assim, acha que ainda manda por aqui”, disse ele. “Pensam que somos sua colônia. Não somos!”. Pois não é que no dia seguinte fomos todos chamados à chefatura dos “carabinieri” para dar declarações. O espanhol havia feito uma denúncia contra Getúlio, dizendo que ele havia colocado em risco a nossa vida. Claro que todos defendemos Getúlio, pois ele não só tinha cuidado muito bem da situação como sabia andar naquelas estradas de olhos fechados. Nunca houve risco para nossa vida. Foi o maior mico do espanhol!

Eles ainda pensam que somos colônia

Pois atitude semelhante teve o rei da Espanha, Juan Carlos, na última semana quando mandou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, calar a boca. Vivendo a irrealidade do conto de fadas, num anacronismo sem limites, de uma aristocracia carcomida, o rei incorporou a dita “superioridade colonial”, acreditando que aquele mestiço falastrão nada mais poderia fazer senão calar a boca ao seu mando.

Faz parte do jogo de simulacro essa coisa grotesca de vir para a América Latina, segurar indiozinhos no colo, fazer visitas aos pobres, percorrer favelas. Coisa de realeza, acima do bem e do mal, olhando pelos antigos súditos. Agora, ouvir críticas da boca de um mandatário de uma nação soberana, que não se submete, aí já é demais para o rei. Então ele esquece todo esse “bom mocismo” de beijinhos falsos e perde a tramontana. É que, na verdade, a Espanha ainda domina grande parte das terras de cá. Hoje de um jeito novo, via empresas transnacionais. Controla minas, telefonia, bancos, comunicação e tantas coisas mais, serviços estratégicos no mais das vezes. Um novo jeito de colonizar, de manter sob o cabresto. Governos latino-americanos há que ainda se submetem e baixam suas cabeças para esses interesses, espanhóis ou não. Outros não têm medo, como Chávez, e denunciam. Então assoma a arrogância européia: Cala a boca! Tal qual o espanhol dirigindo-se a Getúlio nas entranhas do deserto.

O que Juan Carlos não sabia é que, de Chávez, não se pode esperar o silêncio imemorial. Ele é príncipe das palavras, que lhes brotam aos borbotões, principalmente quando é para defender a soberania da gente de “nuestra América”. E ele não cala a boca assim fácil não. Ao contrário. Ele grita, um grito aprisionado desde há 500 anos. Que não se cala mais. Se alguém tem de calar, aqui, agora, na nossa terra, é “el rei”. Já basta! Não por acaso esta é a frase que ouvi de uma das bocas quentes de El Tatio naquela manhã de fevereiro. Já basta! As gentes de Abya Yala já não se calam mais!...



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h30
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A cabeleireira - de Rubens da Cunha

 
A Persistência da Memória, de Salvador Dali

Eu me sentei na cadeira em frente ao espelho. Ela trouxe uma capa preta e me vestiu. Mais com os olhos do que com a boca, perguntou:

– Como o senhor deseja?
– Normal, curto, mas prefiro que corte com tesoura. Foi o que respondi. Era novembro de 1983. Eu tinha 25 anos. Homem comum, qualquer um, como diz a canção. Ainda lembro daquele dia em que pegou meus cabelos e, delicada e automática, começou a cortá-los. Não dizia nada, nem sequer olhava no espelho, por mais que eu caçasse ali o seu olhar. Devia ter a minha idade. Terminou o corte, perguntou se estava bom, disse o preço e pediu para voltar outra vez.

Faz 25 anos que eu corto o cabelo no mesmo lugar. Vinte e cinco anos em que mês a mês, eu e a cabeleireira, nos isolamos numa ilha cercada de espelhos. Eu, carneiro, sou tosado pelas mãos de uma mulher que nem sei o nome completo. Nunca nos falamos mais do que o bom dia habitual. Depois que ela descobriu o quanto sou conservador em cortes de cabelo, parou até de me perguntar se estava bom.

Por ela eu vi passar o tempo.
Primeiro uma aliança na mão direita. Depois na esquerda. Um período em que seus movimentos ficaram mais aéreos. Ainda havia firmeza de pele, de boca. E os olhos sempre fixos apenas na sua habilidade de cortar cabelo.

Depois a barriga cresceu. – Acho que é menina – , disse-me como num sonho, sem que eu perguntasse, sem que eu conseguisse aumentar a conversa. A filha nasceu. Às vezes, chorava dentro do carrinho. Ela saía de mim e ia cuidar da criança. Aquele frio que me fechava as pálpebras devia ser o ciúme.

Certo dia um olho roxo. Mês depois, a mão esquerda sem aliança. Quando eu ia perguntar como ela estava, empurrou minha cabeça pra baixo, até que meu queixo encostasse no peito. Estava, sutilmente, me fazendo calar.

Apareceu então com um cabelo loiro. Noutro tempo de preto, soube por terceiros que a mãe tinha morrido. Há uns dez anos a vi chorando novamente. - Vou ser avó... muito cedo, muito cedo... – e nada mais disse, nada mais chorou. Devia ter quarenta. Se não tinha mais a firmeza de antes, continuava delicada e automática no seu afazer.

Por respeitar demais essa distância, eu a vi novamente com uma aliança na mão esquerda, novamente me abandonar para cuidar da neta chorona, novamente a aliança sumir da mão esquerda. – Não dou sorte no amor – foi o que me disse mês passado.

Vinte e cinco anos. Sei nada e sei tudo desta mulher. Olho-me e percebo que o tempo também passou por mim: menos cabelo, um enrugamento profundo no canto dos olhos, a sólida tristeza de não ter amado na concretude do corpo. De ter vivido em torno de um desejo etéreo. Por isso, hoje decidi que vou conhecê-la de verdade. Ela está lá. Já me espera com a capa preta, a tesoura e o pente.

– Achei que não vinha mais –, disse-me serenamente...



Escrito por Cesar Ribeiro às 10h38
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Especulações sobre a ausência do ator

Pode ter sido isto

mas falaram disto

alguns juraram por todos os santos que foi isto

outros confessaram ao pé do ouvido que foi isto

eu acho que provavelmente foi isto

mas ele mesmo disse que foi isto

Sei lá, as fontes não querem entregar o comparsa.



Escrito por Cesar Ribeiro às 19h26
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Hoje não tem



Pova blogada, é o seguinte: hoje não terá apresentação da Sinfonia Patética. Um dos atores tá doente. Então não cola na grade, a não ser que queira beber com a gente, porque estaremos lá. Ou então corre lá pro Sesc pra ver o Primeiro Popular. Tá falado.



Escrito por Cesar Ribeiro às 18h24
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Primeiro Popular Sesc de Ruído e Literatura



O teatro vem se aquecendo em Sampa desde que a Marta assumiu a prefeitura e parou a zona nos teatros municipais, antigamente loteados para montagens em editais que pipocavam a cada dois meses e com isso impediam a continuidade de um projeto de pesquisa cênica. Com ela no poder, os espaços foram cedidos para grupos, que os assumiam por seis meses sendo possível a renovação por mais seis meses. Fora isso, retornou com projetos de formação de público e tal. Depois veio a luta pelo Fomento, com a Arte Contra a Barbárie capitaneando a tropa de artistas. Surgiram posteriormente vários PACs (estaduais), grupos de teatro se fortaleceram e empreenderam diversas atividades, abrindo seus espaços ou popularizando esses locais, como Satyros, Folias, Parlapas e tal. Hoje pipocam grupos, espaços teatrais e montagens. Agora parece que é a vez de a literatura entrar no barco e começar a se expandir. Vários espaços tão dando brecha para escritores, misturando boemia, música e literatura. Um dos focos é a Mercearia São Pedro, que, como disse num post hoje, é um dos locais que abrigarão a segunda edição da Balada Literária. Fora isso, o Sesc tá promovendo, na unidade da Consolação, o Primeiro Popular de Ruído e Literatura. A bagaça é apresentada por Paulo Scott e reúne 5 blocos de intervenções de duos, com um escritor e um músico. O negócio rola hoje às 19h30 e cada bloco tem duração de aproximadamente 20 minutos. Também terá programação nos dias 21 e 28 de novembro. Agora veja as duplas de hoje: Flu & Wander Wildner (que pra quem não conhece é o fodástico ex-vocalista da banda Replicantes e tem uma carreira-solo duca), Chacal & Omar Salomão, Fernanda Dumbra & Flávio Vajman, Bruna Beber & Daniela Arrais e Marcelo Montenegro & Fábio Brum. Digrátis. Demorô!



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h22
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Balada Literária



Acontece de amanhã até domingo a segunda edição da Balada Literária, um evento de literatura organizado por Marcelino Freire e Maria Alzira Brum Lemos. A programação tem figuras como Glauco Mattoso, Índigo, Xico Sá, Andrea Del Fuego, Ferréz, Bráulio Tavares e tal. Além disso tem uma montagem de Moçambique da peça Dois Perdidos Numa Noite Suja, do Plínio Marcos, e uma oficina do projeto Dulcinéia Catadora. Abrindo espaço para o projeto estão Livraria da Vila, Mercearia São Pedro, Centro Cultural B_Arco, Ó do Borogodó, Biblioteca Alceu Amoroso Lima e o Teatro da Vila, da galera do Satyros. Precisa falar mais? Para ver a programação completa entra no blog do Marcelino (link tá ao lado) ou clica no link abaixo, que é do site da Balada Literária. Ah, isto é bom lembrar: entrada franca. Falado?

PROGRAMAÇÃO: BALADA LITERÁRIA



Escrito por Cesar Ribeiro às 13h53
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Últimas apresentações

Pova blogada, só mais três apresentações da peça que dirijo, a Sinfonia Patética. Contando a de hoje, que será às 21h no Satyros 2 (Praça Roosevelt, 124). Tá R$ 20 mangos, mas quem tiver a fim de entrar na Lista Camarada e pagar meia, é só mandar email ou deixar um recado aqui. E pra quem não quer arriscar pagar mico e cair na roubada, tá aí um vídeo da peça. A edição é do camarada Everson Romito e a filmagem é do Rodrigo Diaz Diaz. Cola na grade.



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h26
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O Valium do Maick

Gosta de Paulo Coelho? Ficou desesperado para encontrar o último da saga do Harry? Então não leia este texto, pode ser prejudicial. O fato é que o camarada Maicknuclear lançou na quinta seu livro Meu Doce Valium Starlight. O cara tem um dos textos mais corrosivos que ando lendo ultimamente, uma mistura de petiscos alucinógenos, beats, multidões metropolitanas, jaspions e professores pardais da vida. Uma hora ou outra pego alguns textos dele e faço uma montagem. Duca. O livro foi lançado pela coleção Dulcinéia Catadora e se quiser saber mais ou conhecer o estilo do Maick entra na Latrina, o blog dele. O link tá ao lado. Se eu fosse você, corria lá e comprava a bagaça. Tae um trechinho da escrita do Maick:

"Já não deixo que invadam minha privacidade informe e informal, com dúvidas infantis, tão esqualidas quão magnificantemente um polo de possibilidades lúbricas. E subo, sem braços, o pedestal da coqueluche psíquica, pondo-me alto, alto como só os ex-pisados(?????) por Jesus sabem ser.... E caio... Feito um suicida que jamais quis mesmo morrer...
Deus, ontem, enviou-me um e-mail em que dizia: "Oh, demônio-paradoxo-úrico, metropólico rei do engendro. Vá. Pegue seu ódio destilado, leve a tira colo, e devasse sua vingança sobre estes animais falantes, a torto e a direito."

Sacou né?



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h12
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Por um hambúrguer menos gorduroso 2*

Eu vi os expoentes deitados na sombra
de uma árvore de frutos podres
que brilhava em rede nacional
para a marmanjada sentada nas poltronas;
guerras ouvidas a distância
na Ásia, África, Europa, América
aviões lançando bombas
caminhões explodindo em feiras públicas;
no microfone soavam vozes firmes
que prometiam políticas externas
reciclagem interna
novas frentes de trabalho;
todos olhavam para os lados
recostados em postes
sentados em bancos
olhando um sol que fervia;
aguardando que as repartições
abrissem as portas
para pegar as senhas
e descolar um trampo;
havia qualquer coisa
de estranha no uniforme
das garçonetes que flertavam
com clientes endinheirados;
esperavam o documento oficial

e o nascimento da cria
para conseguir uma vida nova
de automóveis e carrinhos de compras;
nas vitrines cães furiosos
cheiravam o frango que rodava
vários olhos espreitando um farelo
alcançar a calçada suja;
e falavam sobre aquecimento global
retirada das tropas
sindicalização e terceiro mandato
criando as notícias do amanhã;
nas redações as folhas
imprimiam as grandes matérias
homens honrados destilando veneno
para a opinião nacional;
nas suas fortalezas de vidro
poetas dedilhavam os computadores
contavam histórias
de vida e morte e vida e morte;
putas exibiam as pernas
e o ventre volumoso
em uma tarde fria
de poucos clientes;
no quarto do motel
a garota chorava
depois da primeira penetração
de muitas que viriam;
fanfarrões bebiam a cachaça
e comemoravam o gol da seleção
de algum esporte qualquer
a vitória era sinal da foda noturna;
os presidentes se encontravam
falavam sobre a descoberta do petróleo
a entrada para a Opep
o fim de todas as batalhas;
encapuzados marchavam
perto de um córrego
a carcaça em um saco plástico
um despacho na madrugada;
meninos sentados nas carteiras
ouvindo seus professores
enquanto tentavam espiar
o segredo atrás das saias;
mulheres recolhiam o lixo das ruas
levavam à cooperativa
recebiam seus trocados
e compravam leite e conhaque;
mais um dia estava terminando
quase todos conseguiram sobreviver
entre olhares vazios
e sonhos distantes;
mais uma manhã estava nascendo
desconhecidos sentados à mesa do bar
esperando uma sorte que prometia sempre
um hambúguer menos gorduroso.

*para Norman Mailer, falecido em 10 de novembro de 2007



Escrito por Cesar Ribeiro às 11h33
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Norman Mailer - Um sonho americano



“O último ano fora muito ruim e por algum tempo continuou piorando; é melhor admitir que pela primeira vez na vida percebi que eu seria capaz de cometer suicídio. (De homicídio eu já sabia ser capaz de longa data.) Foi a pior das descobertas, esse suicídio. Afinal o homicídio traz em si euforia. Não estou dizendo que seja um estado a contemplar; a tensão que cresce em seu corpo deixa-o doente por um período, e eu já estava farto de andar por aí com o peito cheio de ódio e um cérebro a ponto de explodir, mas há alguma coisa máscula no esforço de conter a raiva, é tão difícil, é como carregar um cofre de cem quilos morro acima. A euforia vem, suponho, de possuir tal força. Além disso, o homicídio oferece a promessa de imenso alívio. Nunca é alheia à sexualidade.
Mas há pouca sexualidade no suicídio. É uma paisagem solitária iluminada com a luz pálida de um sonho, e alguma coisa o chama, uma voz trazida pelo vento. Certas noites eu me sentia chumbado de pavor porque ouvia a demorada afinação de uma música de câmara quase chegar lá. (Sim, o homicídio lembra uma sinfonia em sua cabeça, o suicídio é um simples quarteto.) Aproximava-se o meu quadragésimo quarto ano, mas pela primeira vez eu sabia por que alguns dos meus amigos e as muitas mulheres que eu pensei ter compreendido não suportavam ficar sós à noite.”

“Fazia algum tempo que eu chegara à conclusão de que todas as mulheres eram de morte, mas agora estava me convencendo que todos os homens eram malucos.”

“Se a morte de Deborah tinha me dado uma nova vida, eu devia ter umas oito horas de idade agora.”

“Ela poderia ser um jogo de personalidades distintas não fosse pelo caráter de seu traseiro, aquela bela peça sulista. Ocasionalmente ela se virava e cantava por cima do ombro, mostrando que a bunda naturalmente não tinha a menor relação com o seu rosto, não, ela a mexia com um ritmo próprio, satisfeita consigo mesma e com ela, prática, a quintessência de toda garota sulista, maravilhosa, um pouquinho grande e redonda demais para a cintura, uma caixa registradora, o rabo de uma garota sulista. ‘Este traseiro está à venda, rapaz’, dizia-me, ‘mas você não tem cacife para comprá-lo!’ Seu rosto, nada tendo a ver com esse diálogo, sorriu recatadamente para mim pela primeira vez.”

“Se o assassino estivesse solto dentro de mim estaria também uma espécie de santo, um santo menor, sem dúvida, mas finalmente livre para absorver os males dos outros e regurgitá-los para fora.”

“ – Você teve uma noite daquelas – comentou ela.
- Não é a noite – respondi –, é a manhã que me espera.
-Você está com medo das próximas horas?
-Estou sempre com medo.”

“Quando estava na cama com uma mulher, eu raramente sentia que estava gerando vida, antes me sentia como um pirata treinando um raide contra a vida, e então em algum lugar dentro de mim – sim, ali residia uma grande parte do medo – eu temia o julgamento que devia repousar atrás do útero de uma mulher.”

“O fedor de encanamentos baratos transpirava o terror da velhice – até onde a doença é doente, até onde a sugestão de intestinos velhos é repugnante.”

“Um homem nunca tem nada exceto lacunas entre suas certezas.”

“O que era a oração se não uma súplica para não perseguir o mistério.”

“Um dos homens mais inteligentes que conheci me disse uma vez, ‘Fuja de uma faca, mas encare um revólver’.”

“A possibilidade de que a sensação que experimentava quando fazíamos amor fosse apenas minha me deixou homicida.”

“Não é bom pensar demais, não do jeito que eu penso. Porque sempre acabo concluindo que Deus é mais fraco porque eu não dei certo ou coisa parecida.”

“Partilho minhas tolices como se fossem pães.”

“Eu queria me libertar da magia, da língua do Diabo, do temor de Deus, queria voltar a parecer um homem racional, preso a detalhes, promíscuo, sensato, ignorante da extensão dos mares. Mas não conseguia me mexer.”

“Compreendi os últimos momentos de um homem condenado ao fuzilamento e invejei esse homem – sua morte era certa, ele podia se preparar, enquanto eu tinha de esperar não sabia o que.”



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h03
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Metendo a língua na poltergeist



Não era uma Rosemary nem tinha um quê de Carrie, mas era alheia ao mundo e quando desfilava em praça pública atraía uma atenção típica de zumbi norte-americano diante de carne fresca. Continuava a caminhada sem se importar com a saliva que escorria da boca da marmanjada e de algumas fêmeas mais dispostas a encarar o batente. Na madrugada em que isso aconteceu eu tava sentado em um boteco na esquina da Augusta pensando nos vatapás todos que tinha de fazer no dia seguinte e no crime que me haviam encomendado na véspera. Tinha de apagar o Ivans Lins. Porra, tudo bem, assim como cento e uma em cada cem pessoas detestavam o figura, eu também não guardava muita simpatia pelo fulano, mas apagar nego público, sei lá, tem suas pentelhações. A mídia correndo atrás de quem furou a carcaça, a cambada chorando na fila no defuntamento e os gambés jurando por todos os divinos que encontrariam o carniceiro. Eu tava sentado dialogando com a cachaça e o cigarro. Ela entrou e todo mundo se zumbizou. Como o boteco tava vazio, só com meia dúzia de bebuns, não entendi muito bem porque ela resolveu puxar a cadeira e sentar ao meu lado. Tava de saco cheio de neguinho chegando pra pedir trocado pra comprar remédio pra mãe que tava morrendo de uma doença qualquer, vender incenso ou livro de poesia e tentar descolar uma graninha numa trepada num hotel vizinho. Tava a fim só de ficar com meus botões matutando como apagar a celebridade e tinha decidido que não pegaria nenhuma puta naquela madruga. Mas ela sentou e começou a puxar papo. Fiz uma cara de cão sarnento mas ela nem se incomodou e continuou arrotando palavrórios. Disse que eu era o único que não babava quando cruzava com ela na vizinhança, que queria saber por que eu não soltava a saliva e se eu era um viado que não tava nem aí pra alcachofra. Pensei em dizer que não era nada disso, mas resolvi apenas dar um tapa na fuça da fulana. Ela gostou. Ficou roçando meu pau por baixo da mesa até literalmente encher meu saco. Começou com um papo de que era cinéfila, que freqüentava sempre o Espaço Unibanco e que foi a primeira a entrar na fila pra ver Jogos Mortais 139. Sacou uma sacola e mostrou uma leva de Romero, Jasons, Freddys, Profecias e adjacências. Disse que adorava se fantasiar de Tangina (a clarividente nanica de Poltergeist) quando trepava e perguntou se não toparia fazê-la naquela madruga. Mas tinha de ser fantasiado de Carol Anne. Caralho, entre ir pra casa e ficar bebendo uísque sozinho ou colocar a peruca loira e meter na voduzinha da ocasião, desejada no bairro todo e cercanias, resolvi deixar as notas sobre a mesa e partilhar a carne, já que a noite não tinha muitas promessas e eu não chegava a um consenso sobre como apagar o idiota. Descemos a Augusta e logo chegamos ao apartamento. Uma caralhada de pôsteres de filmes de terror espalhados pra tudo quanto é canto, alguns bonecos de vodu, diversas máscaras de vilões hollywoodianos e um colchão d’água, afinal ela precisava de um mínimo de conforto, resmungou um pouco quando eu perguntei qualquer coisa sobre o que aquela porra de colchão tava fazendo lá. Passou a fantasia da arrotinha e foi pro banheiro se fantasiar de Tangina. Voltou andando sobre os joelhos enquanto eu ajeitava a bosta de peruca e colocava um tosco vestido infantil. Ela não se agüentou e veio correndo, ou rastejando aceleradamente, dizendo que eu era uma criança malvada e que era por minha culpa que todos os monstrengóides tavam azucrinando a casa. Era um tal de copo voar até a sala, papéis que escreviam livros de auto-ajuda durante a noite e cachaça que esvaziava sem ninguém beber. Falou que agüentaria tudo numa boa se não fosse por um grupo de fantasmas que de uns três dias pra cá resolveu ensaiar pagode dia e noite na sala do apê. Aí ela já não conseguia agüentar. Gritou que eu era uma menina má e que precisava me exorcizar porque tava de cuca quente por causa de toda a fantasmada que sentou no sofá e mudou de canal quando ela tava num domingo à tarde querendo ver Psicose. Então arrancou a bosta do meu vestidinho infantil e me jogou no seu aquário. Tirou a roupa e rosnou alguma coisa do tipo "Carol Anne, mete a língua na Poltergeist, mete a língua na Poltergeist". Como uma menina obediente, meti fundo a língua, cada vez mais fundo, enquanto da sala vinha um som: "Ela me balança/Feito uma criança/Faz o coração disparar, ê/Ela fica louca, com água na boca/Quando chega perto de mim/A gente nem se encostou e nosso fogo tá assim! (vai!!)”. Fui.



Escrito por Cesar Ribeiro às 12h19
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Uma garrafa d'água, duas fatias de presunto e três azeitonas estragadas

Lembro que ela disse qualquer coisa sobre eu ser um grande filho da puta e saiu por aí, mordendo cachorros e socando dentes de pardais numa madrugada fria e sem uísque no bolso. Lembro que no dia seguinte ela quase fincou uma gilete no pulso quando pensou em telefonar da casa da mãe e perguntar coisas sobre o tempo, o futuro e os arrotinhos que havíamos planejado em eras remotas. Lembro que nesse dia eu fiquei ao lado do telefone esperando a ligação que não veio, a campainha que não tocou e a foda deixada de escanteio. Lembro que os cigarros haviam acabado e eu procurei como otário bitucas em um cemitério de cinzas vazio feito com aquela porra de plástico de guardar sabão em pó. Lembro também que não havia nenhum outro tipo de pó ou porra, a não ser aquela que joguei no ralo do chuveiro quando tava tomando banho sozinho e bateu uma solidão e um tesaozinho meia-boca. Lembro que há alguns minutos ela passou por aqui com cara de tempestade e as veias saltadas, recolheu algumas roupas no armário, pegou aquela velha coleção de jazz e blues e jogou tudo numa sacola do Compre Bem. Lembro que ela deixou na geladeira uma garrafa de água pela metade, umas duas fatias de presunto e três azeitonas pretas com jeito de estragadas. Lembro de um grande barulho quando ela bateu a porta e de um gemido do lado de fora, no corredor do andar, que ficou por lá uns trinta minutos. Lembro que depois veio um silêncio. Um grande silêncio. E só.



Escrito por Cesar Ribeiro às 01h59
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O grande vencedor



Fazia tempo que esperava a condução. Um pastel na mão e um desatino na boca. Brigava contra o ar e esperava uma resposta que nunca vinha. Tinha certeza de que era o maior de todos os grandes filhos da puta da história, com diplomas em xingamentos poliglotas e arremesso de formigas. Disputou os X-Games na categoria Choveu Me Molhei e ganhou: entrou na chuva e se molhou. Foi a maior vitória de sua vida. Aguardou uma tempestade durante horas, e quando caíram algumas gotas, coisa de segundos, saiu no meio do molhado e deixou dois pingos caírem na blusa comprada pra ocasião. Colocou a estatueta na estante da sala para exibir aos amigos. Ao lado dela estavam outras glórias: maior deixador de bebida no copo, grande arregão do bairro, funcionário com maior número de demissões da cidade de Guaxumbira e profissional da virgindade e da beatitude por desfeita das mulheres e desatenção do Satanás, que diziam por aí tava cagando e andando pra ele. Mas agora tudo havia mudado. Ele queria bater seu recorde de conquistas em plena manhã de sol em São Paulo, desafiando as crianças que passeavam pelo parque e os idosos que tomavam chicabon no banco da praça. Um calor de quase 20 graus. Aguardou o ônibus por cerca de três minutos, entrou no veículo, pagou a passagem e fez todo o percurso sem utilizar nenhum dos bancos vazios. Foi em pé mesmo, provando o quanto era um campeão, durante todo o percurso do prédio da Gazeta até o Masp. Desceu do ônibus cantando três aves-marias e dois racionais mcs. O grande vencedor.



Escrito por Cesar Ribeiro às 15h36
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Sorria baby

Sorria baby
As bombas já foram jogadas
No jardim da infância morta
E agora só há restos de vida
Pedaços de velhos senhores
Engravatados sob o sol
Com suas novas malas pretas
Carregando contratos multimilionários
Do velho negócio
Que faz o mundo girar

Sorria baby
Não há mais brincadeiras
Num parque de diversão fechado
Os bilheteiros foram embora
Para wall street
Falam ao telefone
Vendem em dólares
E voltam para casa
Beijando moedas e falando alto
Felizes por fazerem o mundo girar

Sorria baby
Não há mais trepadas
O vinho acabou
Chegou a hora da responsabilidade
De sentar à velha mesa
Fazer os cálculos
Refazê-los
E garantir a mobília nova
A viagem à Europa
Fazendo o mundo girar

Sorria baby


Escrito por Cesar Ribeiro às 18h30
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Sem reticências e vírgulas sobre o sexo dos anjos



Desconfio de santos que tomam vinho mas não se embriagam
nem saem por aí
andando entre postes mijados por cachorros
e sarjetas de águas limpas pela chuva
na calçada das putas nuas que aguardam com os pêlos eriçados um mercedes branco que finalmente lhes apresentará o paraíso.
Enquanto as putas colhem o esperma e colocam a bolada no bolso
voltam os pastores para seu quarto
de preces
lamúrias
e orações pela humanidade que vêem através de seus buracos de fechadura
na solidão de suas paredes
de seu claustro
e de suas esperanças de um dia a grande meretriz arrombar a porta
arrancar as vestes
e mostrar o deus que há em uma grande chupada.



Escrito por Cesar Ribeiro às 02h55
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O sorriso da velha



Ficar com a boca cheia
uma velha virgem após o gozo
e sair por aí pagando cachaça aos bebuns
roubando pingüins de geladeira
beliscando a bunda de jovens padres
e sorrindo para a multidão de desajeitados
que encostados nos postes públicos
com camisetas brancas e jeans surrados
lamentam a tristeza de todas as vidas
certos de que só há uma pessoa feliz no mundo
um tal monge que passa dias e noites
comendo granola e tomando ovomaltine
numa caverna em Nova Iorque



Escrito por Cesar Ribeiro às 08h20
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